segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Concept



Techno e artes plásticas

Já que estou sem tempo para escrever, vou postar um texto do Marcos Vinícius Brasil sobre minimal. No texto ele faz comparações estéticas entre a minimal art e o projeto Concept, que criou as bases para o surgimento do minimal anos mais tarde.

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Há exatos dez anos surgia um dos mais controversos e relevantes selos da história recente da dance music. A M_nus foi fundada em 1998 pelo DJ e produtor canadense Richie Hawtin, e se tornou plataforma para o lançamento de artistas como Troy Pierce, Marc Houle e Magda. Sua trajetória, que começou como uma dissidência da grife de techno Plus 8, se confunde com o surgimento e consolidação do minimal techno, um dos rótulos mais debatidos, refutados e incensados da última década.

No mesmo ano de sua criação, a gravadora editou em um único álbum a série Concept, lançada originalmente em 1996 no formato de doze vinis. As faixas, que na época soavam como uma espécie de manifesto do minimalismo na música eletrônica, formataram as diretrizes que guiaram o desenrolar do minimal nos anos posteriores, até chegar aos dias de hoje. As músicas são de uma esterilidade extrema, utilizando a mesma “estética da exclusão” que, nos anos 60, colocou uma porção de artistas plásticos nova-iorquinos sob um único rótulo, batizado mais tarde como minimal art.

Untitled Music

Relacionar o som e a estética da série Concept às “estruturas” e “propostas” de nomes como Frank Stella e Donald Judd é um exercício de observação revelador, que mostra instantaneamente algumas semelhanças intrigantes. Para começar, ambos decidiram abolir os títulos de suas obras. Gente como Dan Flavin, famoso por criar formas geométricas utilizando lâmpadas fluorescentes, as expunha sem nenhum batismo, assim como Judd – cuja assinatura era dispor em seqüência retângulos e quadrados pintados, feitos com latão ou cobre. À semelhança desses artistas, as faixas de Concept têm os títulos formados da combinação de ‘0’s, e “o”s minúsculos e maiúsculos – que não remetem a nenhuma idéia figurativa ou temas concretos, e se justificam apenas enquanto som.
Sol LeWitt

Assim como haverá sempre a controvérsia sobre a existência do minimal techno (há quem diga que é apenas techno, ainda que em uma forma naturalmente evoluída daquele feito ainda na década de 80), a arte visual minimalista também nasceu e amadureceu sob o movediço signo da dúvida. O termo foi cunhado pelo crítico Richard Wollheim, em seu ensaio Minimal Art, de 1965. Mas a parte irônica da história é que nenhum dos principais artistas associados posteriormente ao movimento pela crítica, como Frank Stella e Dan Flavin, foram citados no texto original de Richard.

Os próprios figurões do movimento recusavam o termo. Flavin disse, em 1967, que considerava “objetável” o convite para participar de uma “exposição de ‘arte minimal’ sem título". "Não aprecio a designação de minha proposta como a de alguma ‘movimento’ dúbio, jocoso, epitético, proto-histórico” (trecho encontrado no livro Minimalismo, de David Batchelor). Mas o fato é que, assim como aconteceu com o techno, o rótulo pegou e se tornou uma das principais correntes nas artes plásticas do pós-guerra norte-americano, ao lado da pop art.

Expressões Espaciais

O uso de pequenas estruturas em repetição para compor uma unidade maior também é encontrado tanto nas faixas de Concept quanto em um Sol LeWitt, por exemplo. Enquanto as músicas de Hawtin repetem loops mínimos de bateria e baixo ad infinitum para criar arranjos intricados com até dez minutos, LeWitt levantava suas esculturas híbridas repetindo quadrados vazados, soldados uns aos outros. David Batchelor afirma, em Minimalismo, que “uma fileira de caixas de aço não é menos sobre ou de sua época que um quadro ilustrado convencional. Pelo contrário, talvez”. O mesmo pode ser aplicado à música.

Em “OOOOOOOOO0oo”, a sétima música de Concept, fica explícita outra relação entre o minimalismo no techno e nas artes plásticas. Ambos abusam da experiência de espacialidade, e no caso da faixa citada, Hawtin brinca com os canais de áudio como se o ouvinte passeasse ao redor de uma caixa de som – emitindo música que ora fica mais distante, ora fica ao pé do ouvido. Robert Morris fazia algo similar com seus retângulos de madeira – os expunha em posições diferentes na sala, para que a posição do observador influenciasse na contemplação dos objetos.

O uso de texturas, como as que compõem a breve “OOO0oooooooo” se assemelha ao que Robert Rauschenberg fazia ao pintar sobre jornal amassado – criando saliências e irregularidades sobre a superfície da tela. A recorrência constante à ultra-simetria, que no caso da escultura surgiu como uma resposta ao antropomorfismo abstrato de artistas como Kandinsky, também é usado por Hawtin para extrair da música qualquer lembrança de que aquilo foi feito por alguém de carne e osso.

O som de Concept é essencialmente anti-natural, sempre composto pela forma geométrica recusada pela natureza – o quadrado. Os loops são dispostos como se houvessem sido soldados por uma máquina em série, sem breaks ou traços artesanais. Parecem ter saído de uma forma gelada, assim como as estruturas de LeWitt.

A filosofia da subtração, apesar de prescrita no começo do século passado por artistas como Ludwig Mies Van der Rohe (do aforismo “menos é mais”), ainda diz respeito à nossa realidade urbana, tanto na esfera visual quando na música. Mesmo que refutado por um suposto ataque neo-barroco na eletrônica (aka maximal), o minimal e a estética lançada pela série Concept ainda dizem muito sobre o tipo de som que consumimos hoje, mesmo que novos negociantes da moda tentem fazer o consumidor acreditar no contrário.

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Escute ai

http://rraurl.uol.com.br/resenhas/4993/Concept_1_-_96:CD_(M-nus)

(destaque para a faixa 01, o som parece girar em uma esfera)

Fonte: www.rraurl.com.br

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Musicovery



Mood

Site bem bacana, é uma rádio que seleciona a list por meio de um filtro, você pode escolher a década, combinar estilos musicais e até mesmo o humor da musica.

Escute ai

http://www.musicovery.com/


É bom avisar que as veses vem umas coisas bizarras!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Veteramos de guerra



MDMA

Cientistas norte-americanos estão usando ecstasy para tratar veteranos de Guerra que sofrem com stress pós-traumático. Eles anunciaram, nessa semana, que os estudos iniciais estão fornecendo resultados “impressionantes”, sugerindo que o MDMA poderia ser fornecido por médicos legalmente.

“Estamos tentando fazer do MDMA uma prescrição médica nos Estados Unidos, no Reino Unido e nos outros lugares”, diz Rick Doblin, especialista em ecstasy e pequisador-chefe da Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos (MAPS).
Doblin salienta que o E poderia ser oferecido cuidadosamente, em condições controladas, deixando o paciente internado em clínicas durante a noite. Apesar dele dizer que acredita que ainda passarão “muitos e muitos anos” antes das autoridades reconsiderarem a droga, independentemente de qual partido ganhar as eleições nos EUA. “A mudança de administração não fará diferença”, ele diz.

A história apareceu depois do London Times ter publicado uma reportagem sobre uso de drogas por estudantes, com a seguinte manchete: “Usar drogas regularmente é normal”. “O roteiro de uma noite pode ser fazer “coquetéis”; Tomar ecstasy quando estiver se preparando para sair, mais Es e MDMA em pó enquanto estiver fora, então relaxar com ketamina – o tranqüilizante para cavalos – antes de dormir”,disse Carol Midgley, jornalista do Times. A matéria ilustra ainda que o alto índice de consumo de drogas por estudantes universitários ajuda a provar que pessoas teoricamente inteligentes são mais suscetíveis aos atrativos das substâncias químicas.

A repórter descreveu a rotina de alguns estudantes que tomam ecstasy e ketamina rotineiramente para assistir TV e apontou que “usar drogas faz sentido, pelo lado econômico”. “Pastilhas de ecstasy custam cerca de duas libras cada. Tomar algumas e beber água significa que você aproveitará a noite pelo preço de uma vodca e um Red Bull”.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Midnight Boom



The Kills

Formado pelo dueto Alison Mosshart e Jamie Hince vulgo VV e Hotel, o Kills se prepara para lançar seu terceiro álbum, Midnight Boom, no dia dez de março. O disco sai pela gravadora Domino Records, a mesma do Franz Ferdinand.

Midnight Boom tem arranjos enxutos e uma atitude mais despojada referente à qualidade técnica. O cd pelo que deu pra ouvir ta mais dançante, eles falaram que o disco promete renovar o fôlego da discografia do duo.

Os primeiros singles, U.R.A. Fever e Cheap and Cheerful, que por sinal é bem foda, tem bateria programadae se guia por um baixo econômico. Os singles tem seus arranjos desmembrados disponíveis no site oficial da banda, caso alguem se interesse em remixar.

Veja ai

http://www.youtube.com/watch?v=G6wUPCqwWI8

http://jornalberbequim.blogspot.com/2008/02/kills-midnight-boom.html

Escute ai

http://jornalberbequim.blogspot.com/2008/02/kills-midnight-boom.html

Vale a pena!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Beethoven por UNKLE



BMW

Comercial de um minuto da BMW com a nona sinfonia de Beethoven remixada pelo UNKLE.
Vale a pena!


Veja ai

http://www.youtube.com/watch?v=WfE90BrM-qU&feature=related

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Angel milk



Télépopmusik

Com dois álbuns lançados pela Source Records, selo responsável por publicar o trabalho do Air, o trio francês lançou em 2005 o álbum Angel Milk, sucessor ao Genetic World de 2001.

Angel Milk é um daqueles álbuns que criam uma atmosfera etérea, comparações com bandas como Air e Portishead são validas, já que a banda navega de maneira suave e atmosférica pelo Trip hop, transitando no downtempo e muitas vezes produzindo um som mais ambient, tudo isso com um toque jazzístico de muito bom gosto.

As referências do trio não podiam ser melhores, entre elas está o Kraftwerk, o próprio nome da banda é uma homenagem ao grupo pioneiro no uso dos sintetizadores, do qual são seguidores.

É um ótimo disco para se ouvir num domingo chuvoso, logo de inicio ouvimos a envolvente Don´t look back, de melodia suave praticamente um chill out. O álbum conta com a participação de três vocais femininos: Deborah Anderson, a rapper Mau e Ângela McCluskey que inicia o álbum de maneira hipnotizante e faz diferença no decorrer do mesmo, protagonizando as musicas mais hypadas do disco.

Angel Milk é um álbum para viajar, a sensação que se tem ao ouvir é que o som flutua, em alguns momentos com a mesma força do Massive Attack, talvez mais requintado por conta do peso e do bom uso das influencias Jazzísticas.

Acho que a receita do grupo é simples, juntamos o som e os vocais etéreos do Air, o trip hop atmosférico do Massive Attack, e por fim, o clima e a densidade do Portishead.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Grammy



Festinha Bacana!

Vamos lá, começando com o Chemical Brothers que levou o prêmio de Melhor Album de Música Eletrônica por "We are the Night", mais do que merecido!

O grande momento foi do Kanye West que levou o Grammy de Melhor Artista de Rap e fez uma apresentação brilhante, literalmente, dividindo o palco com os Daft Punks com direito a óculos de LED e a famosa pirâmide.


veja ai (tiraram o original do you tube)

http://www.youtube.com/watch?v=Y_SYw57uu40&feature=related

Pena que o Daft Punk não apareceu mais, o bacana foi que o Kanye West entrou no clima e tal com uma roupa modernete e um oculos de LED, eu até queria o oculos mas provavelmente foi leiloado para alguma instituição.

E a Amy: Melhor Nova Artista, Melhor Performance Feminina, Melhor Canção Vocal Pop Feminino e Melhor Música do Ano. Pena que ela teve que agradecer e cantar de Londres já que não deram o visto pra junkie ir a festa!


veja ai

http://www.youtube.com/watch?v=9tjCOAaQgfQ&eurl=http://rraurl.uol.com.br/cena/4947/Amy_Winehouse_e_Kanye_West_no_Grammy_2008

Matthew Dear



Coringa!

O sujeito ai já foi vários personagens, talvez por isso não tenha um nome tão consolidado na cena eletrônica mundial, mas não é por falta de talento, o cara já gravou no studio do Richie Hawtin como False, como Jabberjaw pela gravadora de Berlim Perlone e com pseudônimo Audion lançou o Suckfish em 2005, antecessor ao Leave Luck to Heaven.

É do Audion de Suckfish que gostaria de falar um pouco mais, o cara já se apresentou no renomado museu novaiorquino Guggenhein, com seu estilo aproximado de um 4/4 serrrilhado, synths e batidas roucas em uma mistura onde a levada do house e a frieza do minimal se fundem e criam uma atmosfera única de ritmo e introspecção para o ouvinte.

Um ótimo álbum para se ouvir e dançar, o álbum abre com Vegetables que se aproxima de um deep house, se não fosse pela sua estética quebrada e uma evolução que não ocorre de maneira obvia no sentido de ritmo, ela se mantém constante, a evolução se da através dos synths que são inseridos de maneira uniforme sem grandes picos.

Talvez a melhor faixa do álbum Your Place or Mine mostra o quão talentoso Matthew é como produtor, nessa faixa ele brinca com a linearidade, consegue dissecar a estrutura da musica inserindo elementos na base como se cada elemento desse espaço ao outro de maneira que a musica em nenhum momento se repita.

Audion é um bom exemplo de que a mistura na musica eletrônica é valida, não temos como rotular ao certo o som do Suckfish, o que podemos dizer é que ele fez musica, e das boas.

Agora sob pseudônimo False ele acaba de lançar o álbum 2007, novamente pelo selo de Richie Hawtin. 2007 saiu pouco tempo depois de Asa Breed, assinado com seu nome verdadeiro. False é o projeto menos acessível do norte-americano, através do qual ele abusa do techno minimalista abstrato e da ausência de fórmulas convencionais.